Viver o luto ao perder pessoas queridas é importante, defende psicólogo

vencendo-o-lutoEm tempos de luto, principalmente naqueles momentos em que perdemos pessoas amadas, muitos tentam escapar da dor. Negar o sofrimento ou tentar afastar sentimentos que são comuns nessa fase dolorosa. Mas será que essas atitudes são a melhor forma de superar a tristeza?

“Viver o luto é muito importante. Segurar o sofrimento e guardar os sentimentos é algo que pode levar a uma doença física ou emocional”, afirma o psicólogo Miguel Gomes, do CPPL (Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem). A dor de perder uma pessoas querida deve ser sentida. Faz parte do processo de recuperação. “Quando isso acontece, é necessário um tempo para que a dor vá embora ou se transforme e permaneça apenas a saudade”, ressalta.

Psicologia do luto

Para minimizar a dor, surgiu a psicologia do luto, ramo da área que atua oferecendo um cuidado especial a quem enfrenta uma perda significativa. Atitudes básicas, como a decisão de ir ou não ao velório, ou o que fazer com os pertences da pessoa amada, são colocados sob reflexão. “A terapia ajuda a pessoa enlutada a reconhecer as tarefas necessárias do luto e, através do suporte emocional, apoio e orientação, facilita a organização para que haja a elaboração da perda”, explica o psicólogo.

O tempo também é um aliado importantíssimo no período de luto. “As pessoas precisam de um tempo para aprender a lidar com a nova realidade. Por isso, vivenciar o luto é importante para que o enlutado possa passar pela experiência de uma forma ‘saudável’, podendo externar seus pensamentos e sentimentos acerca do ocorrido”, ressalta Miguel.

Outras iniciativas para buscar a recuperação, como buscar apoio na espiritualidade ou na família e amigos, são essenciais. “A formação da rede de apoio e a busca ou retomada da espiritualidade (independentemente de religião) também são fatores positivos quando acontecem durante o período do luto, pois auxiliam na reconstrução de um novo sentido para a vida. Dessa forma, recebendo apoio e compreensão durante o tempo que for necessário, é possível que a pessoa que passa pela experiência da perda consiga aprender a conviver com a ausência do ente querido e retome, aos poucos, suas atividades cotidianas ou estabeleça novos projetos de vida”, finaliza o psicólogo.